
Eduarda Rosa
O barulho e a movimentação que o trem faz não pode ser ouvido mais em de Itahum - como mostrado nas duas primeiras reportagens da série “Nos trilhos do desenvolvimento”, produzida pelo Dourados News- contudo há previsões de que em breve o município de Dourados, onde está localizado o distrito, se tornará um entroncamento ferroviário com as estradas de ferro da Ferroeste e Norte-Sul.
A obra dos trechos da estrada estão previstas no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento 2) do Governo Federal, com isso o indicativo é que no primeiro semestre deste ano – antes das eleições - o governo as licite para que comecem a ser construídas ainda neste ano e sejam entregues em 2019.

De acordo com a Ferroeste os trechos das duas rodovias receberão um investimento de quase R$ 12 bilhões, orçados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
A primeira ferrovia é a EF 267, “braço” da Norte-Sul, que atravessará 19 municípios (12 de São Paulo e sete em Mato Grosso do Sul), totalizando 659 quilômetros, com um custo de R$ 2.937.967.165,00. Os trilhos saem de Estrela d’Oeste (SP) e Panorama (SP), chegando a Dourados.
A segunda estrada de ferro, a EF 484 (Ferroeste), deverá sair de Maracaju, passando por Dourados e chegando a Lapa (PR) e deverá custar R$ 9.937.967.165,00, com uma extensão de 990 quilômetros.

O professor em economia da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Caio Luis Chiariello, disse em entrevista que a construção da ferrovia só traria impactos positivos para Dourados, “é uma obra pública de grande expressão, representa investimento local, contratação de insumos e mão de obra da região, ou seja, a construção de uma ferrovia por si só já traria impactos positivos para Dourados e região, além de sinalizar para o Estado e para o país a busca da região por desenvolvimento econômico”.
Além disso, o escoamento da safra teria menor custo para os produtores rurais, segundo o Presidente do Sindicato Rural de Dourados, Marisvaldo Zeuli, “grande parte do custo fica no transporte sobre rodas, com a ferrovia a produção chegará mais rápido aos portos, com maior qualidade e assim poderá ter maior competitividade na exportação, por ser um produto mais barato. E o produtor ainda é beneficiado com maior lucro para investimentos em sua propriedade”, afirmou.
Zeuli ainda ressalta que o gasto com o custo do frete será 40% menor, isto porque – conforme explicação do economista Chiariello - o custo da tonelada por quilômetro rodado no modal rodoviário é cerca de sete vezes maior do que no modal ferroviário, “além do que, via rodovia apresenta maior impacto ambiental (poluição atmosférica) maiores riscos humanos (acidentes rodoviários) e maior perecibilidade (cargas danificadas) em relação ao transporte ferroviário”.

Chiariello complementa dizendo que nos países desenvolvidos existe um certo equilíbrio entre as duas formas de transporte, sendo que os modais ferroviário são usados para transporte de grandes volumes e também de coletivo de pessoas, ao passo que o rodoviário é utilizado para transporte de cargas com menor volume e transporte de menor número de pessoas.
Dourados ainda não escuta todos os dias o apito do trem, mas em breve a região do Posto da Base, sentido a Caarapó, rumo ao sul do Estado, deve receber os trilhos das ferrovias. E a previsão é que o local - que hoje não é povoado - em 30 anos deva fazer parte do perímetro urbano, segundo informações da prefeitura municipal.
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A série “Nos trilhos do desenvolvimento” chega ao fim. Se você não viu as duas reportagens anteriores pode conferir nos links abaixo. Nelas foram mostradas o auge e a decadência de Itahum com a implantação e desativação da estrada de ferro que passava por lá.

http://www.douradosnews.com.br/dourados/nos-trilhos-do-desenvolvimento-dourados-sera-entroncamento-com-norte-sul-e-ferroeste
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